Na correria do mercado atual, uma coisa tem me chamado atenção: a responsabilidade do líder em cuidar das pessoas, não só como mentor técnico, mas como referência de vida, vem sendo deixada de lado diante da urgência por resultados.
O papel de People Partner está cada vez mais sobrecarregado, cuidando de centenas, às vezes milhares de pessoas. Os líderes, por sua vez, se afundam na operação para garantir entregas, e os liderados acabam sozinhos. Sozinhos para se desenvolver, para evoluir, ou até mesmo para simplesmente conversar sobre a vida.
O resultado disso é um ambiente de trabalho mais estressante, com uma pressão implícita que ninguém tem coragem de admitir. Porque, afinal, a empresa “tem uma cultura saudável”, não é?
Vamos ser honestos: o ambiente de trabalho hoje é, sim, mais equilibrado do que no passado, e isso se deve a uma mudança cultural importante que muitas empresas têm promovido, mas a pressão por resultados ainda domina, essa pressão drena energia da liderança, que, quando deveria ser exemplo de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, vira modelo de desequilíbrio.
Ser líder é ser exemplo. Sempre. Quer você queira ou não, suas ações falam mais alto do que suas palavras. A velha máxima do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” simplesmente não funciona. Seus liderados vão seguir o que você faz, mesmo quando isso está errado.
Passamos, em média, mais de 8 horas por dia no trabalho. Isso representa mais da metade do tempo acordado. E, sejamos sinceros, o trabalho muitas vezes invade até o resto do dia, nos pensamentos, nos assuntos da família, nos sonhos e nas preocupações.
Então eu te pergunto, líder, gerente, empreendedor: como você tem contribuído para que o seu ambiente de trabalho seja seguro, saudável e produtivo? Como você tem cuidado das pessoas que estão ao seu lado?
Pressão por resultado funciona, sim. É um caminho mais rápido, mas não é o mais sustentável. Pessoas não são recursos. São seres humanos. E seres humanos precisam de cuidado, orientação, tempo de qualidade, escuta e conexão.
Cobrar é necessário, mas é preciso saber como. Alinhar expectativas, estar presente, orientar com empatia. Isso não é desperdício, isso é investimento.
E o maior promotor da sua marca, aquele que vai gerar mais resultado, inovação e crescimento, é o seu funcionário feliz, motivado e respeitado.
Cuide da saúde mental das pessoas com quem você trabalha. Porque, no fim das contas, liderança é sobre isso: cuidar de gente.

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