Comandar ou construir? O papel em evolução do líder técnico

Ser gestor é mudar de posição, não sair do jogo

Antes, o caminho para evoluir na carreira, e ganhar mais, passava quase obrigatoriamente por assumir uma função de liderança. Hoje, com times mais enxutos, processos mais maduros e a valorização da carreira técnica, o limiar entre contribuição individual e gestão acontece mais tarde.

Neste artigo falo um pouco como essa mudança impacta a decisão de carreira de engenheiros(as), o novo papel dos gestores técnicos e o que é esperado de quem quer liderar times de tecnologia de forma prática e eficiente.

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Por muito tempo, a carreira em Y na engenharia de software forçava uma decisão precoce: seguir como contribuidor individual ou migrar para gestão para conquistar melhores salários e crescimento.

Naquele cenário, os gestores eram vistos como profissionais menos técnicos e mais focados em estratégia e processos. E fazia sentido: o mercado demandava líderes para organizar grandes times e estruturas ainda em construção.

Mas o mercado mudou.

Hoje, vemos times mais enxutos, com processos mais maduros, e a carreira de contribuição individual se equiparou (em muitos lugares) à gestão em termos de valorização salarial. Isso diminuiu o “incentivo financeiro” imediato para migração de carreira e, ao mesmo tempo, permitiu que muitos gestores repensassem sua relação com o dia a dia técnico.

E é aqui que está o pulo do gato:

A liderança de engenharia voltou a ser, e cada vez mais será, uma função técnica. O limiar entre ser gestor ou IC acontece mais tarde na carreira. E o melhor: líderes hoje conseguem (e precisam) se manter próximos ao dia a dia do desenvolvimento.

Afinal, o que é esperado de quem quer seguir para gestão hoje?

  • Ser referência técnica para o time.
  • Ajudar outros desenvolvedores a construir e acompanhar seus PDIs (Planos de Desenvolvimento Individual).
  • Entender sobre análise comportamental e diferentes perfis de pessoas.
  • Criar um ambiente que promova autonomia, ajudando apenas quando realmente necessário.
  • Assumir a responsabilidade pelo time: propor melhorias de processos, produto e evolução técnica.
  • Garantir a qualidade de toda e qualquer entrega que o time faça, criando processos que garantam que isso vá acontecer.

No final do dia, gestão de engenharia não é sobre “parar de codar”.
É sobre encontrar o equilíbrio entre técnica e eficiência, conectando pessoas, processos e tecnologia para fazer o time todo crescer.

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